UM BEBÊ COM AUTONOMIA DE ADULTO! EXISTE?

Uma reflexão sobre o deixar "bater asas" e o estímulo à autonomia

Se invertêssemos a pergunta seria mais lógico: um adulto com autonomia de bebê! Existe? Aos montes! De alguma forma a dependência crônica cerceia o "bater das asas" de muitos que aceitam esta condição por comodidade. E não deixa de ser uma forma de dependência ao inverso!

A autonomia é uma das principais "skills" ou competências que o atual e futuro profissional precisa ter. Mas não basta ter é preciso ser. E isso demanda tempo e autoconhecimento.

Não há como desenvolver autonomia com pais que não possuem essa condição. Autonomia não tem relação com independência mas sim com a interdependência evidente hoje e sempre e uma ação e posicionamento íntimo.

Uma boa parte de uma geração se mantém próximo aos pais, em sua residência, sem o exercício educativo da possibilidade de "se virar". Pagar suas contas, ter suas receitas, definir e respeitar seus horários e cumprir seus compromissos marcados.

São situações simples que iniciam com a arrumação da cama até a divisão das despesas mais amplas. É comum ver adultos adolescentes que batem no próprio peito que conseguiram sua independência financeira sem ao menos pagar a conta de luz do mês da casa de seus pais, quando moram lá.

Compram carro, conseguem fazer poupança e viagens que talvez os próprios pais não tenham feito. São consequências de um tipo de educação que protege sem educar, que informa sem responsabilizar.

Há de se permitir ma reflexão mais profunda sobre o tema: o que será desses adultos quando a concorrência for cada vez mais mundial, as plataformas da internet expondo as mais simples deficiências e qualidades e o "mimimi" não pagar as contas? E paga hoje?

Estamos a beira de uma mudança social e demográfica em que teremos a maior parte das pessoas do mundo com mais de 60 anos. Provavelmente, as pessoas que viverão facilmente mais do que 100 anos já nasceram também. E aí, como ficará?

Mais tempo significa mais possibilidade de abrigar todo mundo na mesma casa? Para evitar a carência ou a depressão? Ou será que é uma oportunidade de crescimento mútuo e desenvolvimento de futuros cidadãos mais maduros e com maior responsabilidade por si mesmo e pelos outros?

Fico muito chateado com as incoerências da vida. Pessoas com sucesso pessoal e profissional que não permitem que seus filhos se desenvolvam a fim de os ultrapassar, o que é natural. Outra geração, outros ensinamentos e outras prioridades.

Há que se perceber as deficiências de quem acredita ensinar com as consequências com quem precisa aprender! Em resumo: transferir inseguranças, incertezas e medos aos filhos, tornando-os dependentes, atrapalha mais do que ajuda.

Atendo na mentoria de negócios várias empresárias extremamente eficientes que tem uma dificuldade em comum: permitir que seus filhos a questionem. As emoções ficam à flor da pele e o que menos acontece é a coerência com o que fazem em suas empresas.

Assim como há homens que não abrem mão do poder, pois não querem se sentir inúteis quando da passagem do controle e das decisões a outros mais capacitados.

É claro que nunca será igual. São pessoas diferentes. Mas há uma questão fundamental: há uma participação significativa dessa situação por aquele ou aquela que encaminhou o trajeto por aí. Da mesma forma é uma inabilidade de quem recebe a incumbência da continuidade não saber "lidar" com essa situação.  

Estamos de fato em um momento de incertezas e possibilidades, quase beirando o caos. Mas nada irá substituir a ideia de educação à autonomia que devemos ter desde o dia em que resolvemos ter filhos ou sermos filhos merecedores de pais de valor.

Não há maior felicidade em ver alguém bater as asas com suas próprias possibilidades, mesmo que os primeiros vôos sejam de pouco ou nenhum sucesso. Como se o sucesso estivesse somente nas vitórias. Histórias e mais histórias de pessoas fundamentais a sociedade de hoje relatam seus inúmeros fracassos para chegaram a um único sucesso fenomenal, citando apenas Einstein, para não desanimar.

Temos uma ideia complemente errada sobre a autonomia. Escutei uma afirmação de um importante empresário de nossa região: autonomia é liberdade com responsabilidade. Simples assim! Faz o que quiser e assume as consequências.

Como mães ou pais modernos gostaria de medir quantos de nós teríamos a coragem de possibilitar a nossos filhos uma educação nestas medidas, conforme o crescimento e o desenvolvimento nosso e deles.

Não há como um adulto bebê se transformar em um adulto com autonomia sem intempéries. Mas há como pais em desenvolvimento terem a hombridade de mudar o que é necessário antes de repassar suas carências e dificuldades adiante, prejudicando e muito a construção da autonomia em um bebê, criança, adolescente, jovem, adulto e idoso!

Educação à autonomia é prêmio dos seres humanos à humanidade!

César Silva é Mentor de Negócios, Consultor, Professor, Palestrante e Escritor - CEO @cesarsilvasimplesmente – Nosso propósito é inspirar estratégias com criatividade, possibilitando a liderança com autonomia em rumos disruptivos, viabilizando caminhos exponenciais com confiança e amor!