COMO CONVIVER COM O MEDO DA VIOLÊNCIA

Especialistas falam sobre o temor constante causado pela insegurança e o que fazer para conquistar o equilíbrio num mundo cada vez mais violento

É só ligar a televisão, abrir o jornal, um site de notícias ou o Facebook. Ela está lá, escancarada, aberta, ameaçadora. A violência é algo tão comum nos dias de hoje, que quase não surpreende mais. Mas, provoca medo, ansiedade e estresse. As pessoas, em geral, já não querem mais sair às ruas, evitam ir a festas, não confiam nos serviços que deveriam protegê-las. E isso gera sofrimento que junto ao medo, é capaz de mexer com o interior das pessoas, com o modo de ver a vida e de viver. Para onde vamos? O que podemos fazer?

Especialistas explicam como lidar com esse medo constante que nos limita e pode gerar muita dor e privação das coisas que gostamos de fazer e das pessoas com quem gostamos de estar. é um processo que pode gerar revolta, privar-se de atividades da quais se gosta, mas se faz necessário em um cenário de tanta violência no qual a sociedade vive hoje.

É IMPORTANTE TER MEDO

Primeiro, é importante entender que o medo pode, sim, ter seu lado positivo. A ansiedade gerada pelo medo tem uma função adaptativa e de proteção para “avisar” sobre uma situação perigosa que pode, assim, ser manejada para evitar o perigo, como explica a psicóloga Gabriela Moraes.

No entanto, segundo a psicóloga, a partir do momento em que o medo está mais presente do que ausente no dia-a-dia do indivíduo, gerando uma ansiedade difícil de ser controlada, com  prejuízos ocupacionais, sociais ou em outras áreas importantes, estará diante de uma forma de

"medo exagerado", pois prejuízos estão ocorrendo em diferentes contextos da vida da pessoa. “Ainda, o estado de hipervigilância é um gerador de ansiedade”, diz Gabriela

Mas, precisamos desenvolver uma forma de nao “enlouquecer” com o medo diário gerado pelo excesso de violência que vemos todos os dias e tentar viver da melhor forma possível. Como?

Segundo Gabriela, a preocupação com o que irá acontecer no futuro pode levar ao pensamento altamente criativo e, no atual contexto em que vivemos, rodeados de notícias trágicas, facilmente imaginamos que poderemos ser as próximas vítimas. “Portanto, deve-se prestar atenção quando estamos diante de uma situação de superestimação de um evento negativo, como, por exemplo, pensar que, pelo fato de ocorrerem assaltos no bairro onde moro, eu serei com certeza a próxima vítima, ou, ainda, acreditar que não fui assaltada até agora pelo simples fato de ter sorte. É importante poder avaliar a real probabilidade da ocorrência do evento negativo”, afirma Gabriela.

MEDO EXAGERADO PODE LEVAR A DISTÚRBIOS

Essa postura de medo exagerado pode levar a distúrbios, diferentes tipos e graus de ansiedades como fobia, crise de pânico, entre outros, e estresse. O estresse psicológico, de acordo com Gabriela, depende de cognições relacionadas com a pessoa e o ambiente e, também, os indivíduos sob estresse frequentemente têm uma variedade de pensamentos autodestrutivos e prejudiciais.

Quando uma pessoa passa por uma situação traumática, como, por exemplo, um assalto a mão armada por um indivíduo que usava capuz (ou, até mesmo, se este fato ocorrer com alguém muito próximo) e esta situação desencadeia um alto grau de ansiedade, pode acontecer da pessoa generalizar seu medo para todas as coisas que forem semelhantes ou relacionadas

com armas e capuz, por exemplo.

Para lidar com todos esse quadro, uma das alternativas mais eficazes tem sido o tratamento psicoterapêutico tem sido bem eficaz. Gabriela explica que a terapia cognitiva, então, envolve

esforços para mudar as distorções cognitivas e substitui-las por cognições mais realistas e adaptativas. “Ainda, a terapia comportamental baseada no modelo de condicionamento clássico enfatiza a extinção de respostas problemáticas, como os medos condicionados, ou o condicionamento de novas respostas a estímulos que produzam respostas indesejáveis, como a ansiedade, por exemplo”, comenta. O terapeuta pode se valer de diferentes técnicas disponíveis no arsenal terapêutico, levando em consideração as particularidades de cada pessoa. “Por isso, a duração do tratamento dependerá da demanda do paciente, do seu grau de aceitação e comprometimento com o tratamento”, completa Gabriela.

COMO ENSINAR AS CRIANÇAS A LIDAREM COM O MEDO

Sentir medo é algo natural da infância. Certos tipos de medos são típicos e fazem parte das fases normais do desenvolvimento  psicológico de todas as crianças, tais como: medo do escuro, medo de ter um monstro embaixo da cama, do lobo mau, ficar sozinho, por exemplo. Mas, há de se avaliar se o medo está sendo excessivo e prolongando, se está impedindo a criança de realizar suas atividades rotineiras.

De acordo com Gabriela, medos mais vinculados à realidade, como o de ladrões e o de acidentes, em geral, estão relacionados a crianças a partir dos 6 anos de idade. Nestas situações, a família deve passar a criança o entendimento necessária para ela ter segurança. Nesses casos, é importante demonstrar o que fazer diante do assédio de estranhos, por exemplo.

“A própria família poderá ser geradora de ansiedade e stress na criança. É importante que os pais não transmitam mais medo para seus filhos, pois o que a criança precisa é se sentir segura e, ainda, muitos tipos de medos são aprendidos, portanto, os pais devem ser um bom modelo na educação dos seus filhos”, completa.

 

DICAS DE SEGURANÇA

Você não precisa ser refém do medo, mas ter cuidado é prudente. Por isso, conversamos com o especialista em Segurança Pública e inspetor Ivan Carlos, da 3ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo (RS), que dá algumas dicas de segurança, especialmente ao chegar e sair de casa. Preste atenção e instrua sua família a se proteger:

Ao chegar em casa:

Observe o perímetro da residência, nunca abra portões ou embique o veículo no portão da garagem quando notar presença de carros ou pessoas estranhas nos arredores. Se desconfiar de algo ou alguém, dê uma volta na quadra, ou vá mais distante, nesse meio tempo, caso não seja alguém que queira lhe fazer mal, esta pessoa irá te segui-lo e sairá daquele local.

Caso a pessoa persista em ficar, chame imediatamente a Brigada Militar pelo telefone 190 e explique a situação ao atendente. se tiver segurança particular, acione-o para acompanhar seu ingresso em casa.

Pare sempre com o carro em posição paralela ao portão da garagem e ao meio fio, assim não dará chances de alguém se aproximar e "trancar" você na parte traseira do veículo com outro carro. Combine uma senha com seus familiares, caso aconteça algo com você na chegada. Ligue para alguém da família avisando que você está chegando, assim esta pessoa poderá te observar e inibir qualquer ação.

Quando chegar em casa a pé, cuide se alguém caminha na mesma calçada que você, próximo ou apressadamente. Não demonstre nervosismo, caso isso ocorra, passe pela sua casa e tente adentrar em um local público com mais pessoas e somente após estar seguro retorne para casa. Não "leve" o marginal para dentro de casa. Quando estiver próximo da residência, já tenha em mãos as chaves de casa, não pare na porta para procurar chaves na bolsa ou bolsos, isso dá tempo deles se aproximarem e lhe renderem.

Ao sair de casa:

Mantenha as mesmas cautelas da chegada, cuide se não há suspeitos próximos, saia com as chaves nas mãos e feche portas e protões rapidamente e se afaste rápido de casa.

Antes de sair de casa de carro, olhe por cima dos muros e cercas ou sacadas, para observar se não há suspeitos próximos. Quando abrir o portão da garagem, mantenha o veículo engatado, não pare, saia e já acione o fechamento do portão da garagem. Caso perceba algo anormal como alguém desconhecido que entrou enquanto o portão estiver fechando, acione a Brigada Militar.

Ao estacionar na rua:

Quando estacionar seu veículo na rua, antes de estacionar observe o perímetro, se ver pessoas suspeitas perto, não estacione, procure outra vaga. Após estacionar, tenha em mãos todos os pertences que pretende levar consigo, não fique procurando objetos dentro do veículo parado, esse momento, por menor que seja pode ser crucial. Desça do veículo, acione o alarme, verifique, assim mesmo, se as portas estão realmente fechada, pois os meliantes podem utilizar de dispositivo eletr~onico que bloqueia o sinal do controle de alarme do seu veículo e o carro acaba ficando destrancado, sendo que após você se retirar entram em seu veículo e furtam seus pertences. isso vale para via pública, Lojas, Mercados, Shoppings, etc.

Ao entrar no carro estacionado na rua:

Antes de entrar no veículo, observe o perímetro, não entre se tiver suspeitos próximos ou escorado em seu veículo. Já tenha em mãos as chaves do carro, entre rapidamente, arranque o carro e vai colocando o cinto de segurança enquanto estiver rodando. Mesmo nós sendo orientados a sentar no veículo, colocar o cinto de segurança e dar a partida para depois sair, isso funciona para um país ou cidade seguros, não para a nossa realidade. neste caso prefiro ser multado do que perder a vida. Não fique dentro do carro largando objetos, ou com portas abertas ou carregando porta malas. Se isso for necessário, assegure-se de que você tem segurança suficiente para isso.

Ao parar em uma sinaleira:

Não abuse do celular, pois distraído você é alvo certo. Observe todos os espelhos do veículo para ver se alguém ou motos se aproximam de você. Procure diminuir um pouco quando o sinal estiver amarelo ou vermelho, a fim de dar tempo dele abrir até você chegar no sinal, não dando chances de ser vítima.

Procure andar sempre pelo lado direito da pista de rolamento, ou seja, quando parar num sinal, procure estar do lado de dentro da pista e não ao lado da calçada, pois estudos demonstram que veículos junto ao meio fio são os alvos preferidos dos ladrões. Se puder não ande de vidros abertos em locais suspeitos, pois isso facilita saberem quantas pessoas estão no veículo e também facilita que através da janela furtem seus objetos. Mulheres, não deixem suas bolsa ou objetos em cima dos bancos do veículo, isso chama a atenção. Não dê esmolas na sinaleira, você não mudará o mundo sozinho e seu dinheiro será usado para fomentar o tráfico de drogas.

No supermercado:

No supermercado não deixe pertences e bolsas a vista dentro do veículo. Verifique se seu veículo está mesmo trancado.

Ao ingressar no mercado e apanhar o carrinho, não deixe bolsas e objetos sobre o carrinho, pois ao você se virar de costas para apanhar um produto poderá ser furtado. Não confie nas câmaras de segurança do estabelecimento comercial. Ao retornar para seu veículo tenha certeza de que não há ninguém nas proximidades de seu veículo para carregar suas compras.

Andando na rua:

Quando andar nas ruas, procure não andar em ruas escuras ou isoladas, sem movimento, quando se sentir perseguida ou com medo de algo ou alguém, entre em um local público mais próximo e aguarde a fonte de risco passar. Caso seja abordado, mantenha a calma e não reaja, bens materiais se recupera, a vida não. Não ande falando ao celular ou digitando nele, pois você perde as referências e é um alvo perfeito para ser abordado. Não ande expondo valores, jóias ou algo caro andando a pé na rua. Mantenha vigilância constante. Se abordada não grite, não reaja e não tente correr, você poderá ser ferido mortalmente.

Crianças

Com relação ás crianças, eduque-as para não falar nem aceitar nada dos estranhos. Quando tiver que colocar ou retirar seu filho na cadeira do veículo, faça com rapidez e com segurança.